Aula do dia 03/06/2013
Estudo sobre “a Sorte e o Azar”
Texto do evangelho: Quem não odiar seu Pai e sua Mãe – Estranha moral
Por intuição não abordei assunto para o estudo de hoje. Vamos aguardar o mentor dos nossos estudos e ver o que temos para aprender neste encontro.
Mentor – O que causa muita polêmica entre os encarnados é a Sorte e o Azar. Temos um integrante do grupo que nos auxilia que vai falar sobre esse tema. Ele se apresenta como Gelson e vai nos trazer os ensinamentos de hoje com a ajuda do grupo.
Eu – Seja bem vindo, Gelson. Nossa gratidão e vamos dar início aos nossos estudos de hoje.
Usarei a letra G, toda vez que me referir ao mentor Gelson.
G – A primeira coisa que se pode dizer sobre esse tema é que não existem Sorte nem Azar. Não existe privilégio e não existe castigo. As pessoas ainda estão muito condicionadas a se lembrarem das energias que deveriam ser consideradas benéficas, como energias que castigam. Deus é Amor e não castiga. Há uma confusão muito grande sobre o que é sorte e o que é azar, pois sempre que eu estou olhando pro outro e acho que ele é um privilegiado e eu um sofredor, estou me colocando numa posição de vítima. Mas eu escolho ser vitima e é isso que precisa ser visto. A energia ou a facilidade de conseguir bens materiais nem sempre é sorte e a dificuldade de conseguir satisfazer um desejo nem sempre é azar. Tudo isso precisa ser visto de uma maneira mais ampla. A visão que ainda nos traz esses conceitos de sorte ou azar é uma visão muito restrita, é ainda a visão da inveja e da falta de contextualização. Ou a visão de quem precisa que o outro esteja diminuído para poder se sentir melhor. Assim, ao achar que o outro é vitima de um azar, isso faz com que eu me sinta mais fortalecido. Porque a minha autoestima é tão baixa que eu não me admito ver que o outo esteja bem. Isso é só a visão de um ponto, uma visão muito restrita.
Eu – Mas a necessidade de se sentir superior pode influenciar na condição do outro ou não para o azar?
G – Não! Ninguém influencia a condição do outro, você só influencia o seu modo de ver a condição do outro.
Eu – E pode ser que o outro não seja um azarado?
G – Ou nem seja uma vítima, ou nem esteja sofrendo pelo que eu acho que ele sofre. Mas eu o considero um azarado ou um sortudo. Pode ser que o outro nem tenha notado que recebeu alguma coisa e eu notei. Eu posso influenciar a minha forma de ver, influenciar a minha observação do outro. Isso sim. Não posso modificar o outro, na realidade. E muitas vezes, o que se considera uma sorte pode ser o motivo da perdição e o que se considera um azar pode ser um motivo de salvação.
Eu – Por que você diz que o que se considera uma sorte pode ser uma perdição?
G – Muitas vezes.
Eu – Porque uma pessoa que só se liga na matéria?
G – Exatamente! Uma pessoa que está ligada totalmente no material e que tem um ganho material muito grande pode se perder por isso. Vai se tornar mais materialista ainda. Isso é muito comum. É o que acontece com os líderes. Aquela estória de que o poder corrompe… o poder não corrompe nada, a pessoa se corrompe pelo poder. O poder é só um instrumento. É aquela velha história da faca. Depende das mãos de quem ela esta. A faca é um instrumento. O autor da ação é quem utiliza o instrumento. Assim é com o poder também. Mas veja muitas vezes o que é considerado sorte. Entre os políticos aqueles que vencem as eleições, será que isso é sorte mesmo? Isso não pode, algumas vezes, colocar a perder um bom tempo de preparação, pela facilidade com que esse político consegue bens materiais? O desligamento com as coisas do espírito, com as coisas do amor universal, com as coisas do aprendizado… Pelo contrario, muitas vezes, o que se considera um azar, uma grande perda, pode fazer com que o espírito desse indivíduo se fortaleça e vença uma etapa que seria muito mais difícil de ser vencida se não tivesse havido essa tristeza, essa dor. Porque cada um escolhe o que fazer com as coisas e isso é o mais importante. Quando eu recebo alguma coisa, o outro pode julgar como sorte ou como azar, mas sou eu quem escolhe. Então não existe nada que seja totalmente bom e nada que seja totalmente ruim. Cada um de nós escolhe o que fazer com as coisas que nos acontecem, ou melhor dizendo, com os presentes que a existência nos dá.
Eu – Ouvimos muito em relação a certas pessoas: ah fulano é azarado, tudo que ele vai fazer não da certo… Como fica essa situação quanto ao que falou e quanto ao azarado?
G- Primeiro: aquele que esta vendo tem um ponto de vista, ou seja, ele julga pelo que ele conhece ou pelos desejos dele. Segundo: o fulano pode sentir-se também um azarado, e quem se sente um azarado, continuará se sentindo um azarado.
Eu – O fato de ele se sentir um azarado vai atrair esse azar na sua vida?
G – Que não necessariamente são azares. Podem ser grandes oportunidades.
Eu – Mas você acha que uma pessoa que está num estado desse em que as coisas não dão certo, tem condições de reverter isso? Ou ela precisa de uma ajuda?
G – Eu não acho, eu tenho certeza. Tem tantas histórias, tanto no mundo encarnado como no mundo desencarnado, de pessoas ou de espíritos que conseguiram exatamente por estarem no fundo do poço. Muitas vezes chegar ao fundo do poço é a grande oportunidade de se lançar a um ponto muito mais alto. Isso já é dito há muito tempo por todos os iluminados.
Eu – Agora, tem muitas pessoas que passam a encarnação inteira nessa de “eu sou azarado”.
G – É! Tem muitas outras pessoas que passam a encarnação toda achando que o outro é o culpado pelas coisas que acontecem com ela. Sempre vendo o defeito do outro, a culpa do outro, mas nunca assumindo nenhuma responsabilidade. Isso é o vitimismo.
Eu – O vitimismo está no mesmo quadro do azarado?
G – Sim!
Eu – Quando a pessoa se sente um azarado está no papel da vítima?
G – Sim! Sem dúvida. Também é uma forma de vitimismo: “olha como eu sofro”.
Eu – “Olha como só não da certo para mim”.
G – Exato! Exato.
Eu – E da mesma maneira acontece com o sortudo? Quanto mais ele se sente sortudo, mais as coisas vão dar certo para ele?
G – De certa forma, sim. Mas às vezes o mesmo fato para duas pessoas tem efeitos totalmente diferentes.
Eu – Do azar e da sorte?
G – É o mesmo fato. Por exemplo, falir aqui no mundo material. A falência pra um pode ser considerada um grande azar e aí ele se vitima. Para outro, pode ser oportunidade de se reerguer. A atitude que é importante. Não é importante o resultado material. É que se mede sucesso pelo resultado material. E o sucesso que deve ser almejado é o aprendizado. Nada disso ocorre para que vocês sejam felizes. Ou que nós espíritos libertos da matéria estejamos de felicidade eterna gozando de prazeres. As coisas ocorrem para que nós aprendamos. É como se você quisesse que os seus filhos ficassem a vida toda brincando e nunca os enviassem para a escola. Como seria a vida deles?
Eu – Estacionaria, é claro, pioraria sem movimento.
G – O pai eterno permite que nós tenhamos situações não como sorte ou como azar, não para facilitar, nem para dificultar, mas para trazer aprendizado. E cada um escolhe como receber esse aprendizado. O sucesso se mede pela capacidade de aprender e não pelo quanto dinheiro se acumulou. Existem falidos que aprenderam muito e existem milionários de sucesso que não aprenderam nada. Existem alguns milionários que a única coisa que tem é dinheiro, ou seja, em todo resto eles são miseráveis, mais pobres que os outros.
Eu – Esse tema é muito interessante. O que fez vocês trazerem esse tema hoje?
G – Pai Benjamim nos pediu. Acho que ele pode nos dizer melhor o porquê, espere um pouco, ele já vai se manifestar.
Alguns segundos.
Pai Benjamim – Como a outra vez que conversamos sobre as intuições, é importante que todos nós, encarnados e desencarnados, aprendamos que não existe nada que seja inútil. E que nós precisamos afiar nosso julgamento e não o julgamento da critica. Mas afiar o julgamento das coisas, exatamente como foi falado sobre a intuição. Nós precisamos ampliar o contexto das coisas que nos acontecem. Isso acaba com a possibilidade de se vitimar, de orgulho, amargor. Todos nós viveremos muitas situações que facilitarão nosso aprendizado, e essas situações nos são todas dadas com muito amor. Nós não percebemos, pois não vemos o contexto geral, e assim vemos só uma pequena parte do fato. Muitas vezes o que parece a todos uma dor imensa, pode ser uma oportunidade imensa de aprendizado, de redenção, de evolução. E muitas vezes o que para todos parece um benefício, um sucesso, mais uma vez pode ser a oportunidade de perdição. E aqui não entenda o sentido da perdição com aquele conceito de crime, castigo e de pecado, mas perdição no sentido de não entender a maravilha que é a oportunidade de estar encarnado. E a maravilha que é a oportunidade, o período desencarnado também, de aprender, trabalhar, olhar para o outro.
Eu – Mais uma vez, obrigada Benjamim. Fiz a pergunta porque achei o tema interessante, já que temos perguntado muito sobre estados de emoção.
G – Esse tema vai mais além porque muitas vezes os encarnados e mesmo os desencarnados tem crenças sobre sorte ou azar. São crenças extremamente poderosas, mas infantis. Toda crença é poderosa porque eu coloco energia nela, mas muitas delas são muito infantis, absurdas. Pobrezinha daquela plantinha de quatro folhas, o trevo que existe só para embelezar a terra e servir de alimento para alguns animais e que é confundida com símbolos. Essas crenças são muito infantis.
Eu – Por exemplo, existem famílias cujos pais são muito negativos. As crianças são criadas com ataques de “você não faz nada certo, você é um azarado“. Isso cria uma condição negativa na pessoa no futuro, ou a pessoa já vem com o negativismo?
G – Isso não influencia. A pessoa fortalece isso nela. Ela pode receber isso de varias formas e então, vai depender de como ela reage ao que ela recebe. Ela pode receber isso e achar que é verdade e criar uma crença e condensar isso nela. Ou ela pode receber isso, olhar, e… ah, ah, ah, e aí ela usa a força que isso traz com a vontade de negar tudo o que recebeu e com a vontade de ter caráter, ser honesto.
Eu – Mas a criança tem força para isso?
G – Todos têm. A criança nada mais é do que um espírito que vem num corpo que ainda não está preparado, mas o espírito pode ser muito antigo.
Eu – Então permanecer nisso e passar a vida acusando os pais, dizendo que disseram isso na infância e eu sou isso até hoje…
G – Porque eu quis.
Eu – Por que a pessoa quis? Não é pela força das palavras dos pais que eu me sinto assim?
G – Cada um aceita permanecer no que quiser. Porque muitas pessoas que tiveram essa mesma experiência acabaram até exagerando no que vocês chamam de sucesso, ou acabaram até exagerando no excesso de otimismo que passa a ser socialmente piegas, passando a contrariar aquela imposição de energia. Cada um escolhe o que fazer com tudo. Então não existe sorte, não existe azar. O Pai Celestial nunca beneficia um filho em detrimento do outro. O que existe são situações que nós podemos viver, e eu escolho ser feliz ou não, e não é a situação que me faz feliz. O problema é que a maioria das pessoas interpreta que só será feliz quando conseguir determinadas coisas. Por que não ser feliz agora? Já? Por que eu preciso esperar? ”Eu só vou ser feliz quando me aposentar”. Por que eu não posso ser feliz agora? ”Eu só vou ser feliz quando eu conseguir comprar a minha casa própria”. Que bom! Porque eu não posso ser feliz agora e comprar a minha casa própria daqui a dez anos? O que me impede de ser feliz agora? Talvez o desejo e a expectativa. E o desejo e a expectativa são responsabilidade de quem? De quem os criou.
Eu – Por exemplo, uma pessoa que viveu uma vida passada numa situação de azarado e desencarnou nessa situação. Essa personalidade vai influir na sua personalidade atual?
G – Se ela mantiver isso e mantiver a crença, sim!
Eu – Se ela mantiver a crença, só?
G – Sim! Ela escolhe!
Eu – Então essas personalidades só nos atacam, se nós PERMITIRMOS?
G – Você falou a palavra PERMITIR e falou a palavra ATACAR. Vamos trocar: só nos INFLUENCIAM, se nós PEDIRMOS.
Eu – Aí seria um pedido?
G – Sim! Na maioria das vezes, não consciente, mas não deixa de ser um pedido.
Eu – E por que um ser encarnado permite, ou melhor, pede um estado inconsciente? Isso não é um autoboicote?
G – Sim!
Eu – Mas se a pessoa está inconsciente, isso não deveria acontecer.
G – Mas geralmente isso acontece, a fim de tornar tudo isso consciente para que ela aprenda. Porque ela só vai aprender quando ela perceber o quanto isso a limita.
Eu – Então quer dizer que inconscientemente nós pedimos a situação para aprender e nos libertarmos dela, seria isso?
G – Exatamente. É como a criança que na escola foi muito mal em matemática. Tem uma hora que ela vai ter que enfrentar e refazer essa prova. Na escola as provas são marcadas com antecedência, mas na vida não.
Eu – E se essa criança não tiver essa cobrança da prova, não vai aprender a matéria, seria isso?
G – Exato! E quando ela passar nessa matéria, ela vai para a matéria seguinte, um pouco mais complexa. Muitas vezes isso se repete, só que com maior complexidade, exatamente como na escola.
Eu – Quer dizer que se eu mantiver um estado onde não chamar esse acontecimento negativo meu para a consciência, ele pode não se manifestar nessa encarnação, e sim numa outra encarnação?
G – Sim. Ele vai permanecer, inclusive trazendo transtornos, até que você perceba a origem deles e modifique os comportamentos.
Eu – Então a encarnação vem justamente para a gente transformar essas situações?
G – Sim! Assim como isso que vocês chamam de Sorte e Azar são oportunidades de aprendizagem.
Eu – Se eu vejo que uma situação começa a se repetir: vou, faço uma vez, não da certo, faço outra vez, também não, ao invés de entrar no vitimismo (só pra mim não da certo, oh, céus…), eu tenho que entender porque isso não esta dando certo.
G – Ou aprender com aquilo. Quem foi que disse que todo mundo tem que estar certo! Quem foi que criou o conceito de dar certo? o que é dar certo? Dar certo é ser multimilionário? Esses vão ser poucos que terão domínio material tão grande. Dar certo é o que? Por que todo mundo esta correndo tanto atrás disso? Dar certo…. ou às vezes vitimando e dizendo: óh, não dei certo… Não deu certo em relação a que?
Eu – O ser humano corre atrás de duas coisas, dinheiro e estudo. Porque se você não for pós, doutorado… você não tem um bom emprego, se não tem um bom emprego, não tem o dinheiro. Uma coisa gera outra.
G – A crença que você acabou de elaborar e pode ser que muita gente tenha essa mesma crença, você a colocou aqui agora dessa forma.
Eu – Mas é o que a gente vê. A maioria funcionando em cima disso.
G – Sim! Porque está todo mundo nessa mesma crença.
Eu – E uma coisa desencadeia outra, né?
G – Até isso ruir.
Eu – É a esperança. É que isso venha abaixo mesmo, né?
G – Mas quantas vezes isso já veio abaixo?
Eu – O ser humano cria novamente?
G – Exatamente! Não veio tudo isso abaixo na segunda guerra mundial que terminou em 1945? Quanto tempo faz isso?
Eu – Quase 70 anos.
G – E 70 anos não é nada? E as coisas continuam se repetindo.
Eu – É. 70 anos não é nada para você, mas para nós aqui é.
G – Sim, mas é um tempo de uma geração. E essa geração ainda não aprendeu, pois continua fazendo, tentando pelas mesmas formas.
Eu – Sabe, a cada aula que nós temos, o que me vem muito é que nós temos uma parte em nós que é o ego, que é muito traidor. Sim ou não?
G – O ego é um instrumento, como a faca. A faca que te corta não é traidora, ela só foi mal utilizada.
Eu – Porque o que busca isso é o ego. Só pode ser, né?
G – Sim, mas é um instrumento. O ego também pode fortalecer e te ajudar numa busca espiritual. Você escolhe o que fazer com ele. E muita gente tem se deixado simplesmente dominar por ele. É como se a cozinheira fosse dominada pela faca. Se a faca mandar, será que a cozinheira conseguira elaborar um prato?
Eu – É muito difícil numa sociedade consumista como a que vivemos, deixarmos algumas coisas. De repente tem que usar esse ego para ver as coisas que são desnecessárias, mas temos que correr atrás da sobrevivência, senão não conseguimos viver.
G – Não, não é para sobreviver. É para acumular. Perceba que a maioria das pessoas encarnadas são grandes acumuladoras. Todo mundo quer mais do que precisa, muito mais do que precisa.
Eu – Concordo! Inclusive quando a gente quer, não pensa no que é bom para gente, e sim no que quer.
G – Exato! Se cada um só desejasse o que precisa, se não exagerasse, não acumulasse, permitisse que a energia fluísse entre todos, seria mais fácil. Mas por outro lado deixaria de ser um mundo de aprendizagem, o aprendizado diminuiria muito, e todos estariam num patamar muito parecido. Se você fizesse isso hoje, colocasse todos no mesmo patamar, daqui uma semana as desigualdades estariam novamente visíveis.
Eu – Então sempre vai ser assim!
G – Porque isso é importante para o aprendizado.
Eu – Tá, mas e aquele que aprende. Vamos supor que tem um fulano que consegue se desapegar, deixar…
G- O problema é que não é esse o conceito de desapegar. Desapegar não significa abandonar todas as roupas e sair pelado por aí sem produzir nada. Desapegar significa saber o lugar onde está, o que se produz, dar o devido valor, e não supervalorizar essa produção. Você pode ser um industrial e ter muito dinheiro, e se você souber equilibrar isso, dar o devido valor e não passar a ser escravo desse dinheiro, ok !
Eu – Seria aquilo que é considerado sorte, mas no equilíbrio. Vai ter o dinheiro e vai valorizar o espiritual.
G – Mais uma vez, você já viu alguma faca sendo presa ou processada? Quem é preso é o assassino ou o agressor, não é?
Eu – A faca é só o instrumento.
G – É a mesma coisa com os bens materiais. Eles deveriam ser utilizados como instrumentos e você deveria aprender com eles. Cada um de nós, encarnados e desencarnados, deveriam aprender, como o cozinheiro que utiliza duas ou três facas, apesar de ter vinte facas a sua frente. Porque ele sabe que não precisa de todas elas. Será que nós, encarnados e desencarnados, precisamos de tudo que temos desejado e acumulado? Os encarnados tem mais dificuldade por causa dessa necessidade do bem material, mas alguns desencarnados também.
Eu – O que eles acumulam?
G – Controle sobre o outro.
Eu – Mesmo que no desencarne os grupos se unam pela ressonância, mesmo assim o domínio permanece?
G – Sim, alguns sim, cada história é uma história.
Eu – Nossa… Isso me desanima, eu pensei que fosse diferente.
G – Deveria ser o contrário, deveria te animar. Isso permite que todas as coisas sejam possíveis e aí é você que vai escolher as possibilidades com as quais você vai se ligar. Então isso torna tudo mais leve, muito mais bonito, porque você pode escolher. Não é porque alguém fez isso, que isso precisa acontecer com você. E quanto mais você souber dos feitos e dos resultados desses feitos do outro e aprender com eles, com certeza menos você vai precisar errar para aprender.
Eu – É interessante que você falou isso, porque a gente vê pessoas que nascem ou passam por situações que as deixam mutiladas de membros, órgãos e de repente essas pessoas fazem de suas vidas verdadeiros exemplos. Elas não entram no papel da vítima se dizendo azaradas.
G – Se essas pessoas não tivessem nascido ou não tivessem passado por isso que você chama de mutilação, seriam pessoas ordinárias.
Eu – Ah! Viriam numa condição de tirar proveito da vida. E muitas vezes isso que parece uma dificuldade se torna uma grande oportunidade de aprendizagem. E se essa aprendizagem não for só individual, se for mais coletiva, mais universalista é melhor?
Eu – Aprende-se no espiritismo que nós escolhemos determinadas condições para superar as barreiras dessas dificuldades. É real isso?
G – Nem sempre. Isso é uma realidade para alguns. Para os que têm mais consciência é permitido quase como se fosse uma negociação. Não confundir isso aí com negociata. Porque alguns já têm a noção de que pontos precisa se fortalecer e podem sugerir o que gostariam de fortalecer. Mas isso depois é revisto, sem dúvidas. Mas a maioria dos que atualmente estão encarnados o foram de forma compulsória, não tinham noção do que estava acontecendo. Receberam esse presente da encarnação sem serem consultados. Não de uma forma autoritária, e sim de uma forma bastante carinhosa. Como a mãe que leva o filho para a escola mesmo que ele chore.
Eu – Nossa! Então quer dizer que a maioria teve uma encarnação compulsória? Ela vem e não sabe o que vai acontecer?
G – Sim! Por isso que tem tanto desespero, tanto ódio e tanto rancor.
E u – Então a pessoa já nasce com essa energia rancorosa por ter…
G – Por ter mantido essa energia antes. E aí ele foi encarnado como um grande presente e ao invés dele reconhecer isso, ele encara como castigo. Como alguém que o impediu, por exemplo, de se vingar. Como alguém que o impediu de dominar alguém, controlar. Alguém que o tirou desse falso poder. Na realidade é sempre um presente, sempre uma dádiva.
Eu – E essa pessoa tem a tendência de continuar raivoso?
G – Não existe tendência. Ela pode escolher. Todos os que estão aqui estão muito próximos. Alguns num canto da curva, outros no outro canto da curva, mas não existe tendência, cada um escolhe.
Eu – É uma opção mesmo, é o livre arbítrio?
G – É o livre arbítrio total nesse sentido, sim. Escolher COMO ENCARAR as coisas é o grande livre arbítrio. Não ESCOLHER AS COISAS, essa é a grande confusão. Muita gente acha que o livre arbítrio é escolher o que vai acontecer comigo, isso é besteira. Livre arbítrio é escolher como reagir às coisas que acontecem comigo.
Eu – Então tem coisas que não da para mudar mesmo. Vai ter que acontecer. Tem que saber como lidar com o acontecimento. Mas tem muitas coisas que a gente pode mudar na nossa vida, não?
G – Sempre. Porque é tudo tão complexo, mas se o que você chama de mudar seria prevenir certas situações, não. Tem situações que vão acontecer, se não num momento, acontecerá em outro. O que acontece é que você tem o livre arbítrio para decidir como encarar essa situação. Exatamente como uma criança que vai para a escola e ela não pode escolher que matéria é dada. Ela percebe isso e ela escolhe aprender ou não. Ela escolhe gostar ou não. Ela escolhe estudar ou não. Então esse conceito de Sorte ou de Azar é uma ilusão. Sempre vivemos situações que precisam ser vividas no momento. Precisamos estar explorando determinadas situações que satisfazem o que você chama de personalidades que se manifestam nesse momento. E o difícil é que todos querem se comparar com os outros, ou querem viver a história do outro, quando cada um deveria olhar para si mesmo, para sua história.
Eu – Vou colocar uma situação para você. Vamos colocar crianças que estejam nascendo nesse momento – uma na favela e a outra lá no palácio. O neto da rainha vai ser pai. Um sem roupas, alimento precário e o outro com tudo que a gente já sabe que tem. É a missão e a necessidade de cada espírito para a evolução? Aquele que vai nascer lá na realeza já está preparado para aquilo, naquelas condições?
G – Ou não! Muitas vezes ele está naquela condição e aquilo serve de perdição. Só que ele pode ser visto pelos outros como um herói, sortudo e na realidade pode ser um grande azar. Muitas vezes esse que nasceu na escassez, da um pequeno passo dentro da escassez, produzindo um pequeno movimento, cria uma energia tão positiva que quando do seu desencarne ele é recebido com louros. Enquanto muitos que aqui receberam louros, quando no desencarne são tratados…
Eu – Ele não soube aproveitar sua condição e passou.
G – Sim, “muito será pedido de quem muito recebe”.
Eu – Sim, quem tem, tem uma responsabilidade maior com a espiritualidade, com a doação, é isso?
G – Sim.
Eu – Hoje mesmo eu estava pensando sobre isso, por causa daquele jogador (Neymar) que fez um contrato fora do país. Uma pessoa de vinte anos, o mundo ovacionando, ganhando uma fortuna. O que é isso, a faca? Acho que é um momento até perigoso na vida dele, não?
G – Sim. É um momento de grandes oportunidades. Depende dele o que fazer. Se ele utilizar esse momento para introduzir um novo conceito ético e aproveitar as câmeras as quais ele está exposto para introduzir algo de carinho, de amor, um exemplo, uau! Que bom! Agora qualquer deslize que ele dê que influencie muitos e se essa influencia for negativa, a responsabilidade é dele.
Eu – É uma responsabilidade muito grande numa fase ainda jovem. Tá certo que ele é jovem como encarnado…
G – Sim! Mas não é por acaso que ele está ali e provavelmente todos os encarnados e desencarnados passarão por momentos de glória, de aparente glória. E enfrentar a glória é muito mais difícil do que enfrentar a escassez. A escassez é muito mais cooperativa com a evolução porque quando você está vivendo na escassez você acaba se voltando para a espiritualidade, ou se perde também. A busca da espiritualidade é mais comum na escassez do que na fartura. A maioria das pessoas que vivem na fartura esquece-se de Deus ou esquece-se da espiritualidade. E a escassez muitas vezes traz uma aproximação com a espiritualidade. Talvez o que vocês chamam de prosperidade seja uma das maiores provas da vida encarnada.
Eu – Como você diferencia a prosperidade?
G – Isso que vocês chamam de prosperidade é o excesso material.
Eu – Tem um lado da prosperidade que se busca que não é só o material, né? Prosperidade é estar em equilíbrio com todas as áreas da vida, não?
G – Sim, mas quem define esse equilíbrio? Quanto tem do que vocês chamam de ego nisso? Então muito cuidado com as definições de prosperidade. Alguns colocam: Não, a prosperidade não é só material, eu também quero ter uma prosperidade de reconhecimentos. Muitas vezes isso é só outro jeito de expressar o ego. E quantos não acham que tudo isso de prosperidade está errado e de forma egocêntrica abandonam tudo, porque se julgam superiores, melhores?
Eu – São mais espiritualistas, só eles conhecem a espiritualidade.
G – Sim, exatamente. E alguns depois de certo tempo começam a acumular bens materiais graças a isso. É o contrassenso do contrassenso.
Eu – É o que a gente vê muito nesses pastores que estão à frente das religiões.
G – Mas não da para generalizar. Você diz pastores, mas em todas as religiões, alguns gurus, alguns cléricos da igreja católica, alguns muçulmanos, judeus, budistas, espíritas.
Eu – Defini pastores, mas o que quero dizer são líderes religiosos.
G – Exatamente. E os que cuja religião é a ciência não estão no mesmo bojo? Por isso sempre a mesma frase: “Orai e vigiai”.
Eu – Orai e vigiai! Onde nós estamos em tudo isso?
G – No que te move, qual tua intenção, qual teu objetivo e qual o caminho que você resolveu trilhar. Porque ainda há muitos que acham que o fim justifica os meios, quando na realidade os meios é que são importantes, o fim nem sempre é importante.
G – Como mensagem final eu gostaria de salientar o cuidado com esse julgamento do que é Sorte, do que é Azar, prosperidade, escassez. Porque na maioria das vezes isso são faces da mesma moeda. São sempre oportunidades de aprendizagem. E cuidado com a visão estreita. Amplifiquem a visão de cada fato, de cada ocorrência. Isso é muito importante.
Eu – Então essa é a mensagem que você tem para nós hoje, muito especial. Você também faz parte do grupo de estudos?
G – Sim. Do grupo de estudos. Nós temos tido muito apoio de Pai Benjamin. Apoio diferente daquele que vocês recebem. É um apoio menos energético e mais presencial, mas muito importante para nós.
Eu – Então mais uma vez a nossa gratidão, fiquei muito feliz do Pai Benjamin ter decidido o tema de hoje. E se o tema foi esse é porque tem grande importância para nosso aprendizado.
G – Mais uma vez agradecemos inclusive os companheiros intermediários que estão entre onde vocês estão encarnados e o nosso mundo. Só para citar mais uma vez, Os Fiéis de Nossa Senhora do Rosário dos Negros tem nos ajudado bastante nesse trabalho de intercâmbio.
Eu – Gratidão a eles e a todos vocês presentes nesses estudos nos passando esses ensinamentos com tanto carinho e amor. E estaremos aqui novamente na próxima semana. Mais uma vez, Gratidão! Que Deus esteja em todos nós.
G – Que assim seja!
Eu – Pai Benjamin tem algo a acrescentar?
Pai Benjamin – Abram o coração para sentir. Já aprendemos um pouco sobre a intuição, para perceber como as coisas estão mudando e como é possível ser mais feliz. E perceber como as reações físicas podem estar dentro das decisões que temos para tomar e que se pode modificar isso principalmente não se cobrando certas atitudes.
Eu – Vamos refletir bastante sobre isso.
Pai Benjamin- Estou muito contente, estou fazendo um trabalho energético com todos.
Eu – Que a sua alegria nos contagie, nossa gratidão.

