Estudo 31/07/2014 – A Morte

Estudo 31/07/2014 – A Morte
julho 13 16:08 2014

Estudo do dia 31 de Julho de 2014.
Tema – A Morte.

Estamos mais uma vez reunidos para um encontro com nossos companheiros desencarnados para mais um aprendizado. Vamos elevar nossos sentimentos em Gratidão por mais esta oportunidade. Gratidão a esses companheiros que nos dedicam esse tempo nos trazendo informações que nos levam a refletir e compreender um pouco mais sobre a encarnação e as nossas dificuldades.

Vamos aguardar o comunicador do grupo que nos trará os ensinamentos de hoje. Não sei qual o tema que vai ser abordado hoje, ficou de ser escolhido pelo grupo desencarnado. (Silêncio)

Boa noite. Hoje nós não vamos ter nenhuma identificação porque hoje nós vamos fazer um bate papo com o grupo. Alguns do grupo, não todos é claro, pois o grupo não é tão pequeno assim, mas todos que quiserem se manifestar, vão se manifestar. Não vamos ter só um interlocutor lembrando que todos nós estaremos expressando um pouco do que foi discutido de forma coletiva. Então hoje não nos nomearemos e vamos usar mais a pessoa, nós.

Eu – Vai ser uma comunicação grupal?

Isso! Porque nós já discutimos esse tema entre nós e parece premente, nos pareceu pelo menos, que nós voltássemos a um tema que foi um pouco estudado inclusive no livro que você leu, e que foi muito enfocado, mas em que as pessoas, os encarnados e os desencarnados ( e eu vou explicar o porquê eu disse dos desencarnados daqui a pouco), mas principalmente os que estão encarnados não têm olhado para isso com tanta profundidade, principalmente nas sociedades ditas ocidentais. Hoje nós vamos enfocar um pouquinho o processo de DESENCARNAÇÃO.

Eu – Ótimo!

– Aqui entre nós alguns preferem chamar esse processo de passagem – o ato de fazer essa passagem do plano material – para o plano espiritual. E nós temos discutido muito isso.

Eu – O porquê vocês discutem isso? Nos desencarnados isso traz também conflitos, medos, insegurança e tanto sofrimento?

– Não tanto insegurança e medo – mas traz principalmente marcas. Por isso eu disse que enfocaria depois sobre os desencarnados. Nos encarnados esse processo de passagem causa ansiedade, medo – e muitos passam todo período de encarnação evitando qualquer contato com esse momento de passagem. Para os desencarnados é um pouco diferente. Seria quase que o outro lado do espelho. Há muitos desencarnados – principalmente aqueles que se encontra com seus pensamentos cristalizados, no que muito de vocês chamariam de umbral, por exemplo, e ai ainda se ressente desse momento – se ressentem com a forma de como fizeram a passagem e tenta sempre – essa é uma das coisas que congela e cristaliza – as magoas – tentam sempre acusar a outro por seus insucessos.

Eu – Isso é sério! A falta de responsabilidade pelos próprios atos. Né?

– Sim. E uma das primeiras coisas que nós queremos colocar é que a forma como ocorre o desencarne não é tão importante como se imagina. Mas o preparo para esse momento o é. É claro que existe no cérebro material, e nós já citamos a parte Reptiliana do cérebro. Reptiliana na parte INSTINTIVA – e essa parte instintiva – ela vai buscar principalmente um instinto de sobrevivência, isso faz parte da condição da encarnação. É quase como se fosse um acessório do veiculo que você comprou, e é um dos acessórios mais importantes, porque inclusive refreia algumas tentativas de por fim a essa existência terrena. E refreia bastante! Por causa do instinto de conservação – o instinto de sobrevivência – que é superior a outros efeitos instintivos – inclusive superiores ao instinto de reprodução – o instinto sexual. Mas para os encarnados costuma ser um grande motivo de ansiedade pensar em como ocorre à passagem.

Eu – Angustia sofrimento, desespero.

– Exatamente! Mas o que deveria causar mais mobilização, não deveria ser o como ocorre à passagem, mas sim o como estarei nesse momento, o como foi o preparo para esse momento. A maioria dos encarnados simplesmente abomina pensar sobre a passagem. E o mais importante que nós aqui discutimos bastante, é que o êxito nesse momento da passagem, não é resultado de como ele ocorre – mas é resultado de como se optou por vivenciar a encarnação. Só pode, existe um proverbio, e se assusta usar a palavra morrer – mas é bom usa – lá também para que todos entendam. Só pode morrer bem quem viveu bem!

Eu – Inclusive, com minha experiência terapêutica acho que tem medo da Morte é quem tem medo da Vida. Esses seres passam a encarnação toda arruando muitas dificuldades.

– Exatamente! Não é o como ocorre à passagem – mas como eu me preparei para isso. Pode ser que eu tenha passado a vida sem pensar na passagem – porém eu tenha exercido durante esse período de encarnação atos amorosos. Eu tenha tido respeito nos relacionamentos – e respeito, não é o respeito social do que é chamado de o homem de bem para a sociedade – mas é o respeito espiritual. Muito diferente em alguns pontos do que vocês estão acostumados a pensar pelas leis ainda bastante antiquadas.

Eu – Qual a diferença do respeito espiritual? Porque o Respeito está ligado a Moral. É isso?

– Mais ligado à Ética – apesar da ética e a moral se confundirem. Mas é muito mais ligada à ética – a forma como se relaciona – do que com a moral. E muito mais ligada à ética e com a moral do que com as leis terrenas. Ainda existem leis terrenas que são muito mais entraves apesar de ainda serem importantes para impedirem aberrações – mas que são entraves para relacionamentos mais verdadeiros.

Eu – Você poderia citar um exemplo?

– Relacionamentos pais e filhos, por exemplo, as leis ainda colocam pais muitas vezes, ok eles são responsáveis, mas muitas vezes colocam pais quase como culpados, isso acontece quase sempre não só com as leis, mas também com algumas terapias. Quando na realidade o que se deveria estimular é que a partir do momento que entendemos os princípios de reencarnação – e que ambos são espíritos vivendo uma trajetória na encarnação – e que ambos deveriam ser vistos como iguais – com responsabilidades. É claro que uma mãe de um recém-nascido precisa ter responsabilidade do cuidar dessa criança, e a essa criança não vai ser exigido responsabilidade. Porem no decorrer do crescimento desse ser que reencarnam num corpo infantil ambos deveria atingir um momento em que se tornam iguais – mas as leis terrenas não veem assim, e acabam inclusive causando entraves. Existe uma brincadeira que eu já ouvi inclusive entre encarnados, que em alguns momentos quando alguém faz a passagem alguns familiares estão mais interessados em esquartejar a herança do que em prantear o seu ente querido. Então esse é o resultado da lei? Onde é que está escrito tanta sede de propriedade – se tudo deveria ser coletivo. E eu também não estou aqui falando que a coletividade deveria ser igual no sentido total, porque fomos criados diferentes exatamente para termos aprendizados diferentes. Se hoje nós colocássemos todos como iguais – amanhã já haveria diferenças. Porque cada um utilizaria dos recursos de uma forma bastante diferente – isso é importante que se coloque. Mas iguais no sentido de se reconhecerem como seres em trajetória de encarnação – por isso é que eu digo que algumas leis terrenas acabam inclusive atrapalhando. Quantas mães não tem dificuldade no momento da passagem porque querem continuar amando seus filhos – e ai eu trocaria a palavra de amando por controlando.

Eu – Não quero desviar o assunto, mas, um adolescente – ele não necessita que os pais estejam presentes na vida dele olhando suas escolhas. Isso não é bom, isso é bom… porque tem muitas vertentes que levam os adolescentes a..

– Não só o adolescente, mas, a criança… Mas veja se o seu período de encarnação terminou..

Eu – Ah sim! Você está dizendo no desencarne!

– Sim. Quantas mães não acabam se apegando e tornam- se seres erráticos.

Eu – E ai esse espirito acaba ficando próximo a esse amado e não vai seguir o seu caminho? E acaba um prejudicando a ambos?

– Exatamente. Veja como eu falei algumas dessas características das leis terrenas acabaram criando mais apegos do que Amor. Então é importante que nós tenhamos esse cuidado, que percebamos que somos todos iguais e que se algo aconteceu que mudou a minha trajetória, me tirou do período de encarnação para fazer a passagem eu devo vivenciar essa passagem – e devo continuar.

Eu – Oque você esta querendo dizer é que devemos aceitar a morte como um processo natural e vivencia-la como vivenciamos outros movimentos na nossa vida.

– Exatamente. E que o que acontece é que a maioria de nós, encarnados ou desencarnados prefere coisas que se possa festejar.

Eu – E porque não se passa a festejar a morte?

– Porque não é necessário. O vivenciar não significa festejar, e sim, vivenciar cada uma das etapas respeitosamente – e não que tudo se torne festa porque tanto nos encarnados como nos desencarnados, quem só quer viver em festa não esta levando essa vida a sério, nem a vida material nem a vida espiritual. Também, e aqui é importante ressaltar que não é sendo um espirito soturno que se torna um espirito mais sério. Você se torna um chato.

Eu – E também não é chorando muito tempo pelo que morreu que se vai mostrar o sentimento por aquele que se foi né?

– Isso é muito mais apego do que Amor. O Amor liberta – o apego prende. Então mais uma vez – o grande determinante da forma como se vive a passagem – é a forma como se viveu a encarnação. Se você foi apegado, se você está apegado obviamente nesse momento tudo isso vai aflorar. E não é porque ocorre a passagem que alguém se transmuta no plano espiritual e se torna um anjinho – isso também é uma crença que acaba causando muitos problemas tanto para encarnados – como pra desencarnados. Você já viu nas reuniões de apometria desencarnados que se achavam tão bons que acabaram angariando compromissos muito sérios tentando – e na tentativa de ajudar alguém – só que sem estarem preparados para tanto. Seria quase como um analfabeto tentando ensinar as letras para outro analfabeto.

Eu – É até para ajudar você tem que estar preparado, né? Não se da aquilo que não se tem. Creio eu!

– Exatamente. Então não é necessário que se olhe morbidamente para a passagem e que se comesse a cultuar a passagem, não é isso. Mas é importante perceber que é só mais uma etapa – só mais um momento. Quantos momentos na vida, quer seja encarnado quer seja desencarnado é feita das somatórias desses momentos, e falo sobre os momentos, inclusive porque aqui também temos alguns irmãos desencarnados que continuam vivendo com muita magoa por causa deste momento do desencarne. Só que esse momento já foi, e quando eu fico cristalizado num momento que já aconteceu eu deixo de viver os momentos que vem como presentes – no presente!

Eu – Qual a diferença de uma morte na aceitação dela pelo desencarnado? De um câncer, por exemplo, que a pessoa passa muito tempo se preparando para essa morte, do que a morte por um infarto?

– Pense na sua experiência com as personalidades que se manifestam nas reuniões?

Eu – Aquelas que vão de repente né?

– Pois é! Inclusive aqui nós temos um dos nossos mentores que disse que é para você dar uma risadinha… Porque cada caso é um caso. (risos). O que é importante mais uma vez, é que não é a forma como acontece – é como se está preparado. Então muitos dos que passaram por desencarnes súbitos o fizeram de uma forma tranquila. E muitos dos que passaram por desencarnes súbito o fizeram com susto e foram para outro plano – inclusive alguns com manifestações de agressividade e revolta. Só que isso também acontece nos desencarne mais paulatino como você citou. Cada caso é um caso!

Eu – É realmente! Tem pessoas que aceitam a doença – outras não. Revolta-se contra ela.

– Quantas você conheceu que manifestaram inclusive agressividade por causa de uma doença crônica e não perceberam a oportunidade que tiveram. E mesma coisa acontece com o desencarne agudo. Então o fato de ser agudo ou crônico não é o maior determinante – o maior determinante é como está aquele espirito no sentido de preparo com a vida para vivenciar com amor. Exatamente como vocês veem em relação de como vivenciaram aos momentos vividos durante a encarnação. Se vocês prestarem atenção, nós aqui vemos também entre os desencarnados – mas muitas vezes assistimos o que ocorre com os encarnados, a mesma ocorrência em duas vidas diferentes pode ser encarada como motivo de comemoração ou motivo de desespero. Então o importante não é a ocorrência – o importante é como cada um encara isso.

Eu – Então nós precisamos aprender a morrer. Vai ter que alguém começar a movimentar isso, falar sobre… porque o ser humano esta cada vez mais se negando a morrer.

– Sim. E sofre muito com isso.

Eu – É cirurgia plástica, medicamento para a longevidade a desvalorização do velho… não aceita a velhice e o morrer.

– Veja. Algumas dessas coisas são sustentáculos do instinto de sobrevivência e devem continuar sendo utilizados. Então os medicamentos são meios também de continuar sobrevivendo e são importantes, mas não se apegar só a isso, e não se desesperar. Esse é o maior ponto – vivenciar esse momento sem desespero – o que faz o maior desespero é a mania de controlar tudo.

Eu – Então é a questão do apego? Então este trabalho que estamos fazendo com o grupo (estou trabalhando o grupo com o texto da parábola, Atacando o Problema) tem um bom efeito porque o vaso da história é exatamente o apego.

– Toda informação que suscite o raciocínio ou uma inquietação em relação ao apego – ao orgulho – ao egoísmo – vai propiciar o maior conhecimento e uma maior facilidade de passar por esses momentos cruciais da existência, quer seja encarnado, quer seja desencarnado. É preciso que haja uma modificação dessa visão. Nem o festejar a morte como se fosse uma festa – nem o teme-la – porque na realidade ela faz parte do nosso dia a dia.

Eu – É colocar a morte como um acontecimento natural, como ir ao supermercado, viajar…

– Como ela é. Mais ao menos o seguinte, você come, você elimina dejetos, você nasce cresce e morre.

Eu – E às vezes nem cresce para morrer né? Morre antes.

– E o mais triste é o que morre em vida. É o que pelo medo da morte não vive. É aquele que não vivencia as oportunidades que recebe. Porque todos nós encarnados e desencarnados estamos o tempo todo recebendo muitas oportunidades. Ok! Não vamos conseguir viver todas elas. Abraçar a todas. Porem, também não viver nem uma delas porque vive com medo. É o que morre em vida.

Eu – É bem assim: está morto e não percebeu né?

– Exatamente! Você escolheu morrer. O que é muito mais grave. É uma escolha. Então nós temos que cada vez mais conversar sobre isso para que não haja tantos desencarnados desequilibrados também. Que se fixem pela ansiedade que tinham quando encarnados que se fixem tanto nesse momento de desencarne. No trabalho Apometrico você já percebeu que existem personalidades que encaram de formas muito diferentes esse momento de desencarne. Para alguns é muito tranquilo. Mesmo com desencarnes mesmo ditos violentos. Você já recebeu personalidades que se comunicaram e que sofreram mortes violentas e que estavam equilibrados e tranquilos. E você já teve personalidades que se manifestaram que muitas vezes sofreram mortes assistidas e bastante tranquilas e que estavam extremamente revoltadas. Então veja – o mais importante não é como ocorre – o mais importante é como eu me preparo – e como eu encaro. Como cada um de nós encara.

Pessoa do grupo – Como aceita?

– Mas tem que ser uma aceitação ativa – não aquela aceitação da passividade. É uma aceitação ativa da participação também – de alguém que vivencia e se permite – e que tem uma a fé do que vai ser o futuro. Porque a partir do momento que eu reconheço que há um equilíbrio em tudo que me cerca – e se nós nos permitir perceber há um enorme equilíbrio – tudo está certo!

Eu – E esse entendimento facilita a superar as dificuldades que ficaram na encarnação quando estou no plano desencarnado?

– Com certeza! Com certeza. Porque você também já recebeu muitas personalidades que estão cristalizadas no momento passado que não vivenciam mais nada e não se permitem um outro contato. Que não se permitem aprendizado. Não se permitem inclusive a viver a verdade desencarnada – que é o que vocês chamam muitas vezes de fantasma ou até usam às vezes termos mais jocosos como encosto.

Eu – E isso existe em encarnados também. Tem pessoas que estão vivendo situações que aconteceram a mais de vinte anos como se fosse o agora e não conseguem ir em frente. Essa pessoa é como uma personalidade do passado né? Esta presa naquele momento – e quando desencarnar vai continuar vivendo aquele fato. Não?

– Sim. E que não percebe todo o resto. Não percebe o presente. E que deixa de aproveitar oportunidades para continuar alimentando aquilo que lhe traz tristeza e magoa.

Eu – Como fica quando vocês recebem um desencarnado que ele não acredita em vida após a morte? Existem pessoas que são convictas que essa vida é única.

– Existem as duas vertentes. Você diz como nós recebemos. E a maioria desses nós não recebemos. Porque eles estão tão cristalizados nisso e se eles são realmente crentes de que não existe vida após a morte – eles não vão viver após a morte – por muito tempo – inclusive alguns, de certa forma até engraçada – se é que pode se dizer assim – o farão por teimosia. Passei a vida toda dizendo que não existe vida após a morte, como que eu vou viver agora – vou ficar aqui quietinho – e ficam por muito tempo. Não estou dizendo que todos agem assim.

Eu – Esses seres eles são capazes de se isolar e ficarem sustentando suas convicções?

– São. Isso é uma das características da vida após a morte – a possibilidade de isolamento. O que não ocorre na vida durante a encarnação. Os encarnados não tem como não se relacionar. Então o que acontece é que muitos desses que teimam, mas a partir do momento em que fazem a passagem – e estão do outro lado percebem o seu erro, assumem e continuam – esses nós recebemos sim. Muitos exatamente por não crerem que possa acontecer alguma coisa depois da morte e se cristalizam nas suas mágoas e nos seus sofrimentos. Muitos querem cobrar do Criador àquela promessa que alguém o fez acreditar – a ressuscitação da carne – como eles acreditam na ressuscitação da carne eles vão ficar próximo do que?

Eu – Do corpo?

– Exato!

Eu – E esses espíritos permanecem ai – ou tem a tentativa de ajuda para que chegue a uma consciência maior?

– Veja! O Amor do Pai é infinito. Sempre estão recebendo ajuda o tempo todo. Porem é uma ajuda que respeita o livre arbítrio. Então está o tempo todo sendo amparados – alguns inclusive não capacitados para perceberem esse amparo. Mas eles estão sempre sendo ajudados – mas nunca interferindo no seu livre arbítrio, se eles optarem por estar cristalizado quase como um ovoide – que você já viu também na Apometria – vai se respeitar o livre arbítrio até que isso incomode tanto (porque incomoda) que se abra essa casca do ovo.

Eu – Nossa como é difícil isso né?

– Mas é necessário!

Eu – Sim. Se estiver nessa situação é porque é necessário.

– Porque se eu criei uma casca eu vou ter que ter um motivo para quebra-la. Ninguém vai quebrar a casca do meu ovo por fora. Eu tenho que quebra-la por dentro.

Eu – Uma duvida. Existe diferença entre a cremação de um corpo e o enterrar esse corpo? Tem aquela vertente que diz que o espirito fica próximo ao corpo por um período e quando da cremação o espirito sofre e se desespera. Da para falar um pouco sobre isso?

– É bastante importante que você se lembre sobre o que nós acabamos de enfoca. Depende muito da crença. Um individuo, que se prepara para a vida após a morte – o que acontecer com o corpo dele não faz diferença nenhuma. Porém para alguém, por exemplo, que crê na ressuscitação da carne – ou que não crê em nada disso – não acredita que haja algo além dessa vida a não ser aquele corpo, e isso é o que importa. Ai sim é que ocorrem diferenças. Não é o fato de se destruir aquele corpo através do fogo. Muitas vezes, e mais uma vez aqui me cutucam dizendo que cada caso é um caso. Muitas vezes o fato de destruir com rapidez um corpo faz com que haja um impulso para a percepção de que o corpo não era tão importante como se imaginava. Ou faz o contrario – faz o desespero e até o enlouquecimento espiritual. E a mesma coisa para um corpo que passa por um período de destruição. Você já imaginou como é o desagrado de acompanhar o próprio corpo se decompondo se você espera a ressuscitação desse corpo?

Eu – Eu me nego a isso. Sinceramente.

– Então muitas vezes essa deteorização do corpo físico também é importante para que o espirito corte os liames com esse corpo e possa transcender. Porem para alguns também é magoa – dor- e enlouquecimento.

Eu – Concordo! Se desencarnar em desequilíbrio – sem consciência. Vai pirar mesmo.

– Então mais uma vez o que eu disse no início. O como ocorre o desencarne – ou o que vai acontecer com o corpo depois não é importante. O importante é como nós aceitamos esse momento. O como vivenciamos nossas experiências. E também as crenças e os sentimentos que alimentamos durante a encarnação.

Eu – É porque se eu estou desligada desse corpo pouco importa se ele é queimado ou se vai para embaixo da terra. Né?

– Não faz diferença nenhuma.

– Pessoa do grupo – Posso fazer um comentário? Há pouco tempo fiz um abordagem num grupo que é como se você estivesse vendo,( na questão do apego) as pessoas mexendo nas suas coisas e você não tendo mais acesso a elas. Então seria um exercício a partir do momento que você fez a passagem, esse plano ficou você tem que seguir o seu caminho. Você não tem mais acesso ao seu carro, as suas coisas.

– Uma boa comparação – é como se você olhasse para sua sala de aula da primeira serie e quisesse hoje sentar naquela carteira.

Eu – Mas se eu desencarno num estado de desapego. Eu fico ali observando minhas coisas? Vai haver essa necessidade? Se eu tiver a necessidade de ficar observando – estou no apego?

– Sim.

Eu – Eu vi num museu um ser do lado de uma peça antiga, seria o dono dela ainda ali cuidando.

– O dono ou alguém para quem aquele objeto representava poder. Não necessariamente o dono. Muitos súditos, por exemplo, estão ligados a cetros e coroas, e não são os reis.

Eu – Eu acho que esse é um assunto que deveria ser muito comentado.

– O problema é que – um dos nossos mentores pede para que brinque com você também e diz que se você colocar uma faixa ali na frente: Curso para ensinar a morrer, acho que ninguém virá. (risos).

Eu – Mas eu acho que ainda vou por essa faixa. Diga a ele para ficar atento que vai ver isso aqui na frente ainda. Isso está na minha cabeça faz tempo. Não para ensinar a morrer – mas para falar sobre a morte. Tenho vontade de fazer isso.

– Bastante importante falar, é brincadeira é claro. Mas é bastante importante. Primeiro que as pessoas olham para isso. Encarnados e desencarnados que se desmistifiquem esse momento. A vida não é só nascer e morrer. E veja, por exemplo – sem nenhuma critica – a instituição igreja.O que você mais lembra quando eu falo de igreja? Uma CRUZ.

Eu – E aquele Jesus pendurado. É só dor.

– Isso. E você se lembra dos ensinamentos do Mestre? Não! De cara só se vê isso. É uma valorização desses extremos. Nós estamos sempre preocupados com o nascer e o morrer. E o entre. Esse espaço o que nós fazemos com ele. Esse espaço de tempo. Então que nós possamos valorizar os encontros.O dia a dia. Todos os momentos. Cada oportunidade. Valorizar cada dor que propicia o aprendizado. Cada sorriso que propícia um aprendizado. Cada prazer que propicia um aprendizado. E pararmos de achar que o aprendizado só se dá por um veiculo. O aprendizado se da por todos esses veículos – pelo sorriso – pela dor – pelo prazer – pelo Amor – pelo contato – pela ira – pela raiva. Então eu creio que o nosso objetivo hoje foi muito mais de instigar mais um pouco esse olhar. O olhar para a passagem. Olhar para esse fato inexorável. Todos nós que estamos aqui no caminho espiritual passamos por isso. E a partir do momento que percebemos quantas vezes já o fizemos, já desencarnamos, fica mais simples inclusive. Diminui a ansiedade. Diminui essa mistificação em torno do tempo.

Eu – E quando eu perco alguém querido e procuro por médiuns de contato para ter uma informação da pessoa querida, uma comunicação com ela. Como fica isso? Atrapalha esse desencarnado?

– Veja. Vou ser repetitivo. Cada caso é um caso. Realmente existem casos muito diferentes. Existem momentos em que essa comunicação pode funcionar como uma libertação para esse desencarnado. Muitas vezes quando existe ainda um liame que o ata ao plano encarnado pode ser a oportunidade de desatar isso e de se permitir essa viagem. Porem há também os casos em que se fica insistentemente incomodando, é como se alguém, por exemplo, a sua mãe decidisse ligar para você varias vezes ao dia. Como você se sentiria?

Eu – De saco cheio. Né?

– Exatamente! Se seus filhos ligassem para você o tempo todo perguntando se você esta bem. Então cada caso é um caso. Em alguns momentos é importante e serve de consolo para esse familiar ter noticias. Ok. Sem problemas! Exatamente como para você que é importante ligar para seus queridos.

Eu – Mas essa informação vem desse ser desencarnado? Ou existe um intermediário?

– Novamente. Cada caso é um caso. Existem muitos fatores que vão interferir nesse momento. Alguns mais religiosos dirão que depende do merecimento. Mas aqui nós não vamos usar esse palavreado que fala sobre merecimento – mas muito mais a necessidade de cada um. Muitas vezes ocorre um sacrifício para suprir a necessidade de alguém – não o querer – mas a necessidade. Então se você pergunta. Mas é muito bom que haja essa comunicação? Essa comunicação talvez tenha alguns momentos que se torne um pouco mais natural. Como que está acontecendo aqui, por exemplo. Imagine que nesse momento ao invés de estarmos discutindo temas importantes nós estivéssemos incomodando nossos entes queridos que partiram. Como seria? Agora é proibido contatar? Não de forma alguma. Mas a intensão é que é importante. Não só a intensão é importante – mas também a oportunidade e a necessidade. Porque a intensão faz parte do querer. E a necessidade faz parte do que é permitido e do que lhe convém.

Eu – E vou perguntar mais uma coisa. Esse assunto me fascina. A morte acontece sempre no momento certo? Parece-me que já foi dito algo sobre isso, mas não me lembro bem.

– Veja a sua pergunta ela é mais profundo na seguinte questão. O que você vivencia está escrito? E você só é um ator desempenhando o papel no script que foi, ou não determinado. Eu acho que é reduzir demais a sabedoria do Criador com tanto equilíbrio e tanta justiça dizerem que Ele só escreveria script para que nós vivenciássemos. Mas veja. Voltando a nossa comparação com uma escola. Quando você vai a uma escola existe um planejamento de conteúdo para um ano. Todos aprendem iguais?

Eu – Não.

– Então é mais ao menos assim que funciona. As coisas não estão escritas. Mas existe um planejamento. Não significa que cada momento que você vivencia já estava escrito. Mas existe um planejamento que lhe é proposto. E cabe a você – só a você vivenciar ou não. E o mais interessante é que cabe a você escolher vivenciar. Porem também as decisões dos outros envolvidos afetará o resultado.

Eu – Então isso pode mudar o resultado?

– Claro. Porque e o livre arbítrio dos outros? Portanto é bastante complexo.

Eu – É. Se for assim é bastante complexo mesmo.

– Sim. Nós às vezes não entendemos essa complexidade. Nós preferiríamos que houvesse um script preparado. E ai nós vamos passar a vida inteira tentando achar esse script para nos adequarmos a ele.

Eu – Seria mais fácil né?

– Pois é – mas não existe um script. O que existe é uma linha mestra de um planejamento e exatamente como um aluno na escola. Cabe a cada um levar esse planejamento adiante – ou não.

Eu – Porque se formos ver essas mortes que acontecem nesses movimentos de manifestações. Só vai te acontecer se você for lá para participar, né? Seria isso? Meu livre arbítrio determina?

– Porém! Não é só o seu livre arbítrio. Também depende do livre arbítrio dos outros.

Eu – Caramba! Mas ai eu fico muito suscetível. Não?

– E porque não? Já que todos estamos aqui para nos relacionarmos. Lembre-se do que foi dito quando foi enfocado o ego. Primeiro nós precisamos fortalecer o ego e nos individuar para que depois nós percebamos que nós não somos únicos indivíduos – e que nós somos o todo. E ai é que está o efeito do todo. É a somatória de todos os livres arbítrios. Complexo né?

Eu – É complexo! Eu estou tentando criar uma situação em que eu possa entender melhor isso.

– Imagine alguém que estava andando por uma estrada passando por baixo da ponte e essa ponte despenca. Isso estava escrito?

Eu – É isso que eu me pergunto. Isso estava escrito?

– Ou isso é uma somatória?

Eu – Com quem construiu a ponte…

– Das forças da física que coloca a força do peso do concreto. De quem construiu a ponte e optou por um calculo que talvez fosse enganoso. De quem colocou a ponte no lugar errado… de quem….Percebe? Não existem coincidências. Porém existe a somatória de todos esses fatores.

Eu – Sendo assim nós estamos a todos os momentos propensos a acontecimentos que nos fogem a escolha.

– Que bom! Porque isso é uma percepção importante também.

Eu – Essa casa pode cair na minha cabeça a qualquer momento e isso não está escrito na minha caminhada?

– Exatamente!

Pessoa do grupo – Exatamente em questão de não sabermos o tempo que temos encarnados?

– Porque isso não esta escrito.

Mesma pessoa do grupo – Isso pode ser agora – pode ser daqui a dez ou quinze anos – como pode nunca.

– Por isso a importância – e o Evangelho já diz isso. Esteja sempre preparado.

Pessoa do grupo – Uma mãe saiu para trabalhar e deixou um bebê aos cuidados do irmão mais velho. Esse acende o fogão e pega fogo no barraco. Sai em busca de ajuda e quando volta o irmão esta queimado.

– E eu vou colocar mais umas variáveis. Falamos do tempo. Do fogo. Tem outras coisas que nós não enfocamos que é as variáveis – a somatória das personalidades do passado que incorporam naquele momento e que também vão influenciar. Não vou usar o termo prejudicar. Porque isso é um julgamento. Mas vão influenciar. E não de uma forma matemática tipo: Eu matei numa existência passada e tenho que ser morto agora. Isso é muito simplista.

Eu – Não é a lei de causa e efeito?

– De forma alguma! Isso não está na lei da causa e efeito.

Eu – Penso muito nisso com relação a problemas mentais. Tem muita gente internada em hospitais psiquiátricos que está sob essa influencia personalidades. Né? Essas personalidades podem tirar a personalidade da pessoa dessa encarnação, e a pessoa passa a viver com os sintomas da personalidade do passado. Pode?

– Cada caso é um caso. Mas sim!

Pessoa do grupo – Muitas vezes até levar a um suicídio?

– Ou personalidade com manifestação de autodestruição. Consegue inclusive superar o instinto de sobrevivência que é o maior instinto humano. Veja que complexo! Portanto. As coisas não estão escritas. Mas o outro lado da moeda que cada um de nós não controla para o que vai vivenciar. Porque o que cada um vivencia é o resultado da somatória de muitos livres arbítrios – e inclusive de fenômenos naturais. E não chamemos a isso de livre arbítrio de Deus. Mas isso significa justiça – e as Leis Divinas

Eu – Justiça e as Leis Divinas?

– Sim. Porque muitos acabam aclamando ou colocando para Deus características humanas. Alguns imaginam Deus como um adolescente com um comportamento abusivo quando na realidade existem leis que foram criadas e que são imutáveis – e nós é que muitas vezes não as percebemos ou gostaríamos inclusive de modificar as leis para o nosso bel prazer e para o nosso interesse pessoal.

– Nós estamos encerrando, e acho que o objetivo de hoje era muito mais instigar um pouco questionamentos sobre esse tema da passagem. Que cada um se autoquestione e ao mesmo tempo discuta com os seus para que possamos começar a olhar com mais carinho e com menos ansiedade, menos medo para esse momento que pode ser um momento também de muito aprendizado – e pode ser um momento de muito Amor. Gratidão.

Eu – Gratidão por todos esses ensinamentos sobre um tema tão doloroso e ainda mal aceito para nós seres humanos. Gratidão para todo grupo que assessora a energia desse momento para que essa comunicação possa acontecer. Gratidão à existência e ao infinito.

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Sobre o Autor do Artigo

Vilma Aparecida Mascagni

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