A Critica – Estudo 23/04/2013

A Critica – Estudo 23/04/2013
dezembro 28 16:15 2016
Estudos do dia 23/04/2013
Tema O Critica
 
 

Nosso tema de hoje é A Crítica, Este tema nos foi sugerido por um dos nossos atendidos.

Trechos do Evangelho: Fora da Caridade não há salvação. O que é preciso para ser Salvo e Parábola do bom samaritano.

Temos se apresentando hoje um casal representante do grupo que nos assiste. Ela se chama Anita e ele Álvaro (abaixo é mencionado A).

Sejam bem vindos!! É com muita gratidão que os recebemos neste dia.

A – A crítica é uma incapacidade de olhar para si mesmo, porque se nós olhássemos para dentro e se nós nos fixássemos nas nossas experiências, nas nossas histórias, mesmo que fossem somente as relativas a esta vida encarnada, nós saberíamos que temos pouco direito de apontar para o outro de forma crítica. E isso é bastante importante, principalmente para quem esta numa posição subalterna. É como se a partir do momento em que você adquire um conhecimento ou adquire uma posição, você com certeza também adquirisse uma responsabilidade sobre aquilo. E uma das coisas inerentes dessa responsabilidade é saber que os que estão numa procissão subalterna, ou os que ainda são mais jovens, ainda não passaram pelas experiências que você esta passando agora, seja porque sejam mais jovens, ou porque trilharam outros caminhos e só agora trilham os caminhos que você já conhece. Se estão reconhecendo um caminho que você já conhecia também é muito importante que você perceba que você já trilhou aquele caminho. É importante também que se lembre das agruras pelas quais você passou e permita que alguém que agora trilha o caminho, tenha o direito de ter dúvidas, tenha atitudes que talvez sejam incoerentes, ou tenha também atitudes diferentes das suas. Porque na maioria das vezes o que nós criticamos é o que para nós é diferente. E o diferente nem sempre é errado, só é diferente.

Eu – Sim, porque na maioria das vezes, a crítica independe do outro ser subalterno ou ter menor conhecimento. Acho que mais criticamos pelas diferenças mesmo.

A – Geralmente pelas diferenças, porque quando você tem o real conhecimento de alguma coisa você nunca critica. Você sabe os caminhos que você teve que trilhar para chegar até ali. Quem critica é quem na realidade se incomodou. Ficou incomodado por algo do outro que é diferente do que ele professa, ou do que ele faz. Mas que encontra na sua profundidade, no seu âmago, alguma ressonância, desta vida ou de uma vida passada. Quem critica geralmente quer tirar o foco da atenção de si mesmo, e não é a atenção alheia, é a sua própria atenção.

Eu – Quer dizer que quando eu critico alguém por não gostar da maneira que ele se comporta, ou não gostar da maneira que ele é, eu estou tentando esconder de mim mesmo, essa condição minha que eu não aceito?

A – Sim, sim, porque aquilo te incomodou.

Eu – Mas nós nos incomodamos com a atitude do outro e com a maneira dele ser, por termos essa ressonância dentro de nós, ou pode ser por uma não empatia energética?

A – Mas a não empatia energética é o resultado dessa ressonância. Se aquilo te incomoda tanto, a ponto de você ter que entrar numa crítica, é sinal que aquilo ressoa em você, não em você desse momento, mas numa personalidade tua de vida passada, que tenha passado por algo muito parecido com aquilo. É muito diferente de você fazer crítica a atitudes. Fazer críticas a atitudes é um reconhecimento de coisas que fazem bem ou fazem mal. Quando você estiver, por exemplo, dizendo: fumar faz mal para a saúde, você esta fazendo uma crítica a atitude. Agora, se você estiver dizendo: fulano fuma, eu tenho que boicotar fulano, alguma coisa está errada. Provavelmente existe uma ressonância que te incomodou. Se você critica uma atitude que é de um conhecimento geral, ok. Agora se você critica a pessoa, mexeu com alguma coisa que tem ressonância na sua profundidade.

Eu – Por exemplo, eu acho uma pessoa muito invasiva, atrevida.

A – Se você acha uma pessoa específica atrevida, ela mexeu em alguma coisa tua. Em algum momento talvez você tenha tido um comportamento semelhante. Se você não gosta do atrevimento, porque acha isso uma invasão, tranquilo. Agora, se é de uma pessoa específica, provavelmente ela pegou num ponto que tem ressonância mesmo.

Eu – Então eu não gostar da atitude é uma coisa e eu não gostar disso numa pessoa, é outra coisa?

A – Exatamente! Quando uma pessoa te incomoda pela atitude é porque ela esta acionando algo dentro de você. É óbvio que quando as atitudes são reprováveis, você não vai elogiar alguém, porque se alcoolizou, porque usa drogas ou porque tem comportamento violento. Mas é a atitude, não é a pessoa. Quando você se incomoda com a pessoa, ela encontrou ressonância em você. Então olhe para dentro, não para fora. Quando isso acontecer, veja em você em que ponto isso pega, e aí sim, olhe para aquilo e transmute, modifique.

Eu – Quanto a não empatia energética, existem pessoas que não é uma coisa nelas que nos incomoda. É ela, é a maneira dela agir, falar, chegar, sair. Isso também tem a ver com uma ressonância?

A – Lembre-se do texto que foi lido no evangelho, quem é o teu próximo? Então, o que interessa e o texto deixa isto claro, é a sua atitude.

Eu – Mas nós temos o direito de não permitir que essa pessoa conviva com a gente.

A – Sim! Amar o próximo, não significa mimar o próximo. É importante que se separe isso muito bem. Você não vai sair pela rua pegando todos os ladrões e levando-os para sua casa. Você inclusive vai se afastar deles porque eles significam risco para sua integridade física. Mas isso não significa que você não os ame. Isso não significa que, se em algum momento, alguém que tenha um passado que você reprova, esteja caindo numa ribanceira e precise do seu auxilio, você não vai lhe dar a mão.

Eu – Você acha! Eu estou com uma situação assim, agora me pegou. Uma pessoa que me incomodou muito na família, saiu, agora vive ligando e eu estou me negando atender, é ruim isso?

A – Não necessariamente. Depende, se for só para te incomodar, é melhor não ser incomodado.

Eu – Eu não acredito no caráter.

A – Caráter é algo extremamente mutável, todo mundo pode mudar, todo mundo tem o potencial para se tornar melhor.

Eu – Você acha que um caráter muda?

A – Sim, sempre, porque inclusive se você não mudar, a vida vai mudar.

Eu – E se for um jogo, manipulação, como sempre fez?

A- Por isso não abrir toda a asa, defesas.

Eu – Então, quer dizer que sempre devemos dar as mãos a quem caiu, mesmo que essa tenha….

A – Se ela precisar da mão, com cuidado. Isso não significa que você vai sair por aí estendendo suas mãos para todos. E nem para quem já te feriu. Isso só significa que se essa pessoa que é um espírito com potencial de evolução, com melhoria de caráter, precisar de mais, você pode auxiliar. Se essa pessoa mostrar essa modificação, você pode permitir que ela se aproxime, ou não.

Eu – Nós podemos criar uma resistência, pelo fato da gente não gostar e impedir que possamos enxergar que aquela pessoa teve uma mudança no caráter dela?

A – Isso é muito comum. Aí você está na crítica, aí é seu julgamento. Se até Deus permite que todos continuem, por que você não vai crer que alguém possa modificar-se?

Eu – Então isso vai me pegar mais que os outros ensinamentos, porque estou resistente em estender as mãos a essa pessoa.

A – Mas cuidado! Isso não significa que você vai abrir todas as defesas e receber qualquer um no centro da sua casa, ou do seu coração. Mantenha sempre as defesas, mas também não impeça que essa pessoa demonstre modificações.

Eu – O tema Crítica mexe muito comigo, porque eu sou considerada uma pessoa crítica na família. As filhas e mesmo no nosso grupo me acham crítica e eu resolvi trabalhar esse lado meu. E é muito difícil.

A – Sim, mas a coisa mais importante a ser feita é olhar para dentro de voce e ver onde está aquele ponto que te fez gerar uma crítica. Onde é que aquilo te pega, o que é preciso trabalhar em você e aí trabalhando isso em você, você vai auxiliar o outro. Porque na maioria das vezes, quando o outro não vê alguma coisa e você tenta mostrar, ele só se magoa.

Eu – Então é desistir de tentar mostrar?

A – Na maioria das vezes tentarmos mostrar não adianta nada.

Eu – É já foi dito isso aqui.

A – Porque é o seu ponto de vista, e ele precisa às vezes ter o ponto de vista dele.

Eu – Porque eu acho que a maior luta do ser humano é essa, a de se relacionar, família, casal, amigos, grupos. É sempre um tentar trazer o outro para um entendimento pessoal.

A – É. Só que para isso você tem que lembrar que esse entendimento que para você é o correto é só parte da realidade. E que muitas vezes o outro precisa trilhar um caminho diferente do que você acha, para chegar num ponto diferente.

Eu – Mesmo que esse comportamento esteja prejudicando a família toda?

A – Sim, mesmo que esse comportamento esteja prejudicando a família toda. O que você pode fazer é afastar a família toda de alguém que a esteja prejudicando, mas não adianta tentar fazer essa pessoa ver. Se essa pessoa esta tendo aquele comportamento, aquilo expressa o seu ponto de vista, e não adianta você impor o seu ponto de vista em cima do dele, ou dela.

Eu – O que existe muito no ser humano é que quando existem diferenças entre as pessoas e se tem uma atitude de se afastar, o outro se diz mudar, mas isso acontece por um tempo. Voltam a viver juntos, funciona alguns meses e logo volta a ser como antes. Ninguém muda ninguém, já se esclareceu muito bem isso aqui. Então a solução é se afastar.

A – Em alguns momentos se afastar, em outros, aceitar, em alguns outros momentos, acolher, mas saber a diferença do que fazer em cada momento é muito importante. Algumas vezes você vai ter que afastar, algumas vezes, aceitar, e algumas outras, acolher, por mais que você não goste.

Eu – Então muitos relacionamentos se desfazem por falta de humildade. Será que pode se chamar isso de humildade?

A – Como eu disse, alguns de vocês, vão ter que afastar, outros suportar. Em alguns relacionamentos sim, você vai acolher muitas coisas, mas é preciso não ser leniente e aceitar tudo, porque aí começa a ficar tudo complicado.

Eu – Aí fica uma relação de co-dependencia.

A – Às vezes eu descubro que o único afeto que eu quero é o que me machuca.

Eu – Então eu estar vendo a situação, eu estar consciente dessa situação, não quer dizer que eu esteja sendo crítica.

A – O problema é que você tem que entender que estar vendo uma situação é o seu ponto de vista, não significa que isso é a realidade.

Eu – Mas eu tenho o direito de qurer isso para mim ou não?

A – Você tem direito de expressar o seu ponto de vista, mas nunca de impor, porque o seu ponto de vista é a vista de um ponto só. E existem vários pontos, vários lados, várias possibilidades e nós precisamos admitir várias possibilidades.

Eu – Nós sempre ouvimos falar que o relacionamento é o ponto que mais evolui espiritualmente, por ser muito difícil duas ou mais pessoas conviverem juntas sendo tão diferentes. Como fica quando deixamos um relacionamento no meio do caminho, por exemplo, por intolerância? Nós deixamos algo interminável, vamos assim dizer?

A – Quantos relacionamentos você deixou por intolerância? Porque não só você, mas também muita gente acha que só há um relacionamento quando eu me caso com alguém. Quantos outros relacionamentos não houve nesse tempo todo? Você acha que todas as pessoas encarnadas que você conheceu nestes anos que você passou na terra tinham que estar grudados em você até agora? Alguns relacionamentos vão se afastar mesmo e não interessam os laços, porque alguns laços são só terrenos, são dentro das leis dos homens, alguns contratos são só terrenos. Muitas vezes você tem um sócio e termina esse relacionamento com o sócio. O mais importante é como você termina. Se o seu sócio e você conseguem terminar esse relacionamento de forma apaziguada, desejando que o melhor aconteça, ótimo. O problema é que a maioria das pessoas não termina o relacionamento de forma apaziguada e se tornam inimigas. E toda magoa, todo ódio e todo rancor geram ligação. Assim, você finge que termina uma relação, mas continua o tempo todo remoendo aquele relacionamento.

Eu – O relacionamento que termina negativo se torna mais forte do que quando estava no positivo?

A – Não existe positivo nem negativo. O que existe é a sua forma de lidar com isso. Se você se magoa, se você se irrita, se você continua o tempo todo trazendo aquela situação, ela continua viva. Porque é uma besteira, pois na realidade a situação já aconteceu e já poderia ter sido encerrada. Mas você continua dando vida, como você pode ver isso nas personalidades que são atendidas na apometria, ou em qualquer livro ou romance espírita. Você vai ver que muitos espíritos estão cristalizados numa situação que aconteceu há muuuiiiito tempo, e aí continuam 100, 200, 300, 1000 anos vivenciando aquilo de novo, sofrendo tudo sempre. O mais importante é esquecer, entender o que tem que ser entendido, mas não trazer o sofrimento do passado para o presente.

Eu – Aí estão envolvidas várias outras atitudes como a do perdão?

A – Perdão, desapego, amor ao próximo.

Eu – Nessa situação a indiferença é negativa, porque se você termina uma relação e se torna indiferente, você está isenta de qualquer sentimento.

A – Essa indiferença é uma forma de machucar o outro, de se sentir superior, na maioria das vezes. Ou quando é uma indiferença por falta de sentimento, muitas vezes é uma desumanidade, uma incapacidade de ter sentimentos pelo outro. O que eu preciso é transformar o que for sentimento negativo em positivo, agora a indiferença é muito ruim.

Eu- Então a crítica vai muito além daquele momento de raiva em que ficamos “você é isso, você é aquilo”?

Eu – Isso geralmente não é crítica. Isso é tentativa de ferir e é pior, porque aí há raiva, vingança, exteriorização da mágoa. E aí acontece o “você é isso, você é aquilo“, enquanto deveria ser dito: eu sinto assim, eu entendi assim, eu agi assim, eu reagi assim.

Anita – A gente precisa entender que a crítica geralmente é um roubo da energia do outro. Quando eu faço uma crítica ao outro, eu tento roubar energia dele. Eu quero colocá-lo na posição que eu quero que ele fique e eu não o respeito como ser humano. É que nós precisamos começar a treinar o amor incondicional. Só que amor incondicional não é sair por aí falando de forma angelical e sair abraçando todo mundo. Amor incondicional é entender que mesmo as pessoas das quais eu sinto que devo me afastar, merecem as minhas orações, o meu perdão. Porque senão eu não me desligo delas. Assim, eu continuo tendo essas pessoas nas minhas orações porque eu preciso reconhecer que embora esse relacionamento tenha terminado, essas pessoas foram meus mestres, e é muito bom ter gratidão aos mestres. Vocês não oferecem placas aos professores numa formatura? Deveriam dar placas também para esses relacionamentos, que muitas vezes foram difíceis, mas que foram seus grandes mestres. Se eles não tivessem passado pela sua vida, provavelmente você continuaria num marasmo incrível. Por isso, todos os relacionamentos são importantes, porque aqui, quando vocês se encontram encarnados, vocês não têm como não se relacionarem com alguém. E não estou falando só de relacionamento afetivo ou mesmo sexual, mas sim relacionamento do dia a dia. Você é incapaz de gerar tudo que você necessita, ou tudo que você pensa que necessita para sua sobrevivência. Se vocês forem perceber, vocês não precisam de energia elétrica, de geladeira, de televisão, de fogão para sobreviver, mas poucas são as pessoas que estão dispostas a cozinharem com lenha, sem panela, ficar sem tv, ficar no escuro, sem ventilador. Então você acaba tendo uma relação de interdependência e isso acaba sendo saudável. Você precisa do outro, você precisa do técnico da televisão, do vendedor, enfim, você precisa de varias pessoas. E aí você vai aprendendo com esses relacionamentos, porque no plano desencarnado muitas vezes o espírito fica cristalizado. Ele não precisa de alimento, não precisa de aquecimento, assim ele pode ficar cristalizado às vezes, por séculos. A encarnação é um grande estímulo e movimento sempre. Não que não exista movimento no plano desencarnado, mas é que neste plano pode haver um período totalmente estático.

Eu – Existem críticas no plano dos desencarnados? Esses estados existem entre vocês? Já nos informaram que a mágoa existe.

Anita – Sim, claro! O que são os desencarnados, senão os que estavam encarnados há pouco ou muito tempo e que trouxeram todas essas condições? Então existe crítica, inveja, ciúme, existe de tudo. É que no plano desencarnado o que acontece é que os grupamentos são mais homogêneos. Aqui quando vocês estão encarnados vocês acabam conhecendo todo tipo de pessoa, todo estágio evolutivo. No plano desencarnado, as colônias acabam se formando e a afinidade acaba reunindo mais seres afinizados, por isso a diferença.

Eu – No plano desencarnado trabalham com reunião de afins?

Anita – Exatamente.

Eu – Qual a diferença entre a crítica e a intolerância?

Anita – A crítica é quando eu reconheço no outro algo que eu não gosto e eu tento dizer isto para ele. Ou eu tento mostrar um caminho que eu acho correto, que nem sempre é o correto, mas eu acho que no meu ponto de vista é o melhor. Então eu me coloco numa posição superior a do outro e vou dizer para ele o que é importante para ele. Olhe que interessante, como as pessoas fazem, né? Eu sei o que é melhor para o outro.

Eu – Isso acontece muito com pessoas mais maduras que acham que tem muito para ensinar para os jovens.

Anita – É. Você usou o termo maduro, mas às vezes são pessoas que viveram mais tempo na terra e isso não significa que sejam mais maduras.

Eu – Sim, tem mais experiência, vamos dizer.

Anita – Não, não tem. Na realidade não olharam para as experiências. As pessoas que são mais maduras, que já olharam para suas experiências e que tem experiência, já não ensinam muito. E elas ficam muito mais tranquilas e muito mais receptivas. Elas aprenderam que o mais importante é o abraço e não a lição. As pessoas que continuam dando lições, explicações, dando as soluções para o outro, mesmo que ele tenha visto o problema, não vivenciaram o aprendizado. Em compensação, você perguntou a diferença disso com a intolerância. Na crítica, eu quero mostrar para o outro o caminho que ele deve seguir. Na intolerância, eu quero o outro destruído ou longe de mim. Na critica, eu quero adaptar o outro ao que eu quero dele, porém, próximo de mim. Na intolerância, eu quero distancia, ou eu quero destruir o outro.

Eu – Isso também seria devido a atração de algo desta pessoa que me incomoda?

Anita – Sim, algo nela ressoa em mim.

Eu – Por isso eu a quero distante?

Anita – Por isso que existem os preconceitos de raça, cor, opção sexual, idade, gênero. Por que vai me incomodar alguém ter decidido expressar sua sexualidade de uma forma diferente, desde que não fira a si próprio e não fira a ninguém, incomoda por quê?

Eu – É o que se diz de quem é muito machista, que sempre tem dentro de si esse lado escondido e a vontade de expressar isso.

Anita – Então, o que me incomoda o outro expressar sua espiritualidade de outra forma? Por que talvez eu não tenha certeza da minha espiritualidade e eu tenho medo que ela seja derrubada, então eu preciso derrubar a dos outros antes.

Eu – Então todos esses efeitos estão na autodefesa?

Anita – Nem sempre na autodefesa. Na maioria das vezes, é um autolouvor. Eu preciso mostrar para as pessoas que eu sou melhor que elas, a minha religião é a melhor, a minha cor da pele é a melhor, a minha opção sexual é a melhor, eu sei mais, sou o melhor. E aí então eu posso criticar todo mundo, né? Eu me vejo numa posição melhor.

Eu – Se o outro nos critica, vamos inverter a situação. Do crítico vamos passar a ser criticados. A crítica desperta uma irritabilidade imensa.

Anita – Se provocou irritabilidade, você se colocou no modo de defesa, pegou algum ponto. Ao invés de se irritar, você deveria pegar esse ponto e ver o que precisa ser trabalhado.

Eu – Mas a partir do momento que eu não reajo ao outro e aceito isso, eu não estou permitindo que o outro esteja sempre me criticando?

Anita- Será! Por quê? Na maioria das vezes, quando eu retruco é que a crítica fica mais voraz. Porque o crítico precisa da sua ressonância também. Se ele critica e você se incomoda com isso, ele vai continuar te criticando. Agora se você tentar ficar indiferente sem ser, isso também fortalece, porque a indiferença também é uma forma de estímulo a crítica. O importante é que eu olhe para a crítica, veja onde ela me pegou e eu tente me modificar. Na realidade quando isso acontece, o ideal seria agradecer, porque essa pessoa, talvez de forma inconsciente, te mostrou algo que ainda dói . É como um dentista, quando mexe no seu dente. Você ainda sente uma dorzinha, que bom que ele diagnosticou antes que se torne uma carie muito grande. Pode até incomodar um pouco, mas é melhor que mexa. Isso também não significa que você deve aceitar todas as críticas ou começar a ceder às críticas dos outros. Oh, você diz que eu sou crítico e eu não vou abrir mais a boca. Oh, você diz que eu sou gordo… o que é preciso é ver onde a crítica te incomodou e se você precisa mudar alguma coisa, se você quer naquele momento trabalhar aquilo.

Eu – Também temos o direito de continuar sendo daquela maneira e tudo bem?

Anita – Sim, só que toda vez que usa um DIREITO, você cria para você uma RESPONSABILIDADE. Ok, recebi uma crítica, doeu em mim, acho que tenho que mudar alguma coisa, mas não quero mudar. Tenho que assumir a responsabilidade por isso.

Eu – As consequências que aquilo vai trazer para mim, porque a reação vai ser minha.

Anita – Não põe o dedo na tomada e eu decidi por o dedo na tomada. Tenho que receber o choque e não vou poder dizer que foi a pessoa que disse para eu por o dedo na tomada e é culpada pelo meu choque. Então toda decisão gera uma responsabilidade.

Eu – Seja ela certa, boa…

Anita – Não existe decisão boa ou decisão ruim. Só existe decisão que te leva para um determinado caminho. E o caminho pode auxiliar na sua evolução ou pode bloquear a sua evolução, mas é um caminho. E se a sua evolução for bloqueada, por quanto tempo ela vai ser bloqueada? Se eu dividir qualquer número pelo infinito vai dar zero. Está com pressa por quê?

Eu – Ir com muita calma para um Ariano é difícil. Pensar que em uma encarnação dar tantas ratas….. já estou ansiosa. Sempre ouvi que temos que aproveitar o tempo para evoluir, que o tempo é precioso……..

Anita – Claro, a vida é preciosa. Agora ser precioso não significa que qualquer errinho possa fazer com que você tenha perdido a encarnação.

Eu – Sim, seria muito injusto.

Anita – E a evolução nunca se da em saltos, você não vai virar anjinho numa encarnação.

Eu – É. Seria muito fácil né? Mas ser anjos nessas nossas encarnações, difícil!

Anita – Provavelmente você seria depenado.

Eu – A crítica é adquirida ou você já vem com ela?

Anita – Não necessariamente. Você se acostuma a ser crítica, porque você sempre, sempre não, desculpe o erro, mas é porque você se vê acima dos outros. Só critica quem acha que sabe a solução e uma crítica que vem com a solução, que seja razoável, até pode ser importante. É o que se chama crítica construtiva. Mas criticar por criticar, sem uma sugestão ou o que é pior, com sugestões com um ponto de vista só, sem acolher o que o outro quer, ou precisa, isso é só imposição, autoritarismo.

Eu – Mesmo quando você veja que a pessoa esta numa condição que vai ter uma consequência que vai se machucar, que vai ser difícil?

Anita – Você pode expor isso, mas a decisão quem vai tomar é ela. E aí é importante o modo como expor, porque os fins não justificam os meios. Mesmo que o fim seja de proteção, o meio que você utiliza é mais importante. Você pode auxiliar, orientar, mas você nunca pode impor. Deus não impõe. Deus que é todo poderoso onisciente, nunca impõe nada. Ele te acolhe de uma forma paternal ou até maternal. Se Deus acolhe, se Deus tem a capacidade de permitir que seus filhos trilhem caminhos para ensinamento, por que você não pode permitir o que seus irmãos lhe passam? Lógico que você não deve permitir sem dar nenhuma sugestão se uma pessoa claramente vá fazer algo que para você está errado e vá fazer mal. Você não vai apoiar pessoas que cometeram crimes ou que estão usurpando algo, mas ela vai continuar tendo o direito de escolher. E se você se desesperar por isso, você vai gerar mais um sofrimento para si mesmo.

Eu- É. Porque as consequências disso é sofrimento, né?

Anita – Sim e cada um vai ter que assumir a responsabilidade. É que a gente às vezes perde a noção disso, porque essa responsabilidade muitas vezes não é cobrada imediatamente. Mas a vida sempre vai cobrar, de uma forma ou de outra. E muitas vezes você não vê essa cobrança, da responsabilidade, mas você gostaria de uma vingança maior e a vida não é reativa. A vida não esta para castigar ninguém, Deus não castiga ninguém.

Pergunta de um dos participantes do grupo

Eu entendo a crítica como agressividade. Alguns dizem: crítica construtiva. Só que no meu modo de entender, quando se quer ajudar o outro construir, então sim, desenvolve uma orientação sem a crítica. Aquele que diz que vai fazer uma crítica construtiva agride e silenciosamente ele é censurado ou mal visto por aquele que recebeu a crítica. É isto mesmo?

Anita – De certa forma o que você disse está correto. Como já falei, a crítica geralmente é quando eu tento impor para o outro alguma coisa que eu acho correto. Às vezes isso pode até ter um efeito benéfico, quando eu explico, quando eu tenho um pouco mais de compaixão. Mas aí o que você chamou de orientação, pode ser visto pelo outro como crítica. A crítica não precisa ser sempre negativa. Quando ela é colocada como orientação ou quando eu planejo para que a pessoa veja por si, não preciso impor o meu ponto de vista. Porque a crítica é geralmente a imposição de um ponto de vista. O Álvaro diz que nós perdemos muitas oportunidades de elogiar. Ele diz também que nós deveríamos usar a terapia do elogio, mostrando para o outro o que ele tem de bom, e também achar no outro o que ele tem em comum conosco, o que nós comungamos e não o que é diferente.

Eu – Você acha que isso de encontrar os pontos positivos em comum para que os incomuns não necessitem ser criticados ajuda numa relação, tanto mãe/pai/filho/marido/mulher?

A – O que você enfoca, é onde você coloca sua energia.

Eu – Existe a possibilidade de você focar a energia no positivo, e o outro lado que não satisfaz no outro ser modificado só pelo foco positivo?

A – Sim, por dois motivos: primeiro, porque você vai reforçar algumas coisas que você gosta e segundo, porque talvez você vá se esforçar para ver mais coisas que você gosta. Isso age nos dois lados.

Eu – Um lado que não seja agradável para a pessoa pode se tornar sem importância, é isso?

A – Exatamente! Não tem mais força. Eu deixo de ver o que me desagrada no outro. O que mais me agrada é enfatisado e ele vai ficar cada vez mais agradável.

Eu – Você acha que uma mãe agindo assim com um filho que tem um determinado vício, por exemplo, que ela vai fortalecendo o positivo desse filho e assim, ao ter reforçado o positivo, ele pode vir a abandonar esse vício.

A – Não pense no saci Pererê agora, você resistiu? Ou pensou no saci e veio a imagem até com o cachimbinho? Se eu passar o dia inteiro dizendo, não pense no seu vício! Olha esse vício! Olha como isso faz mal para você e para mim! Eu faço tudo por você e você não sai desse vício! No que você vai pensar? No saci Pererê. Assim, estou reforçando.

Participante do grupo – Então para que tenha um resultado bem positivo, seria elogiar as partes positivas e as virtudes e orientar depois. Aí não entraria a crítica e sim a correção na forma de orientação, seria isso?

A – Se o elogio for bem feito, não é preciso nem de orientação depois. A vibração que você põe no positivo vai enfraquecer o negativo, pois você tira o foco. Tudo que você põe foco fortalece.

Eu – É que nós valorizamos muito o lado negativo, né? Quando alguém está no negativo ficamos valorizando o momento.

A – È muito mais fácil dizer para o outro o que eu não gosto do que o que eu gosto. E se eu ficar falando o que eu não gosto, apesar de colocar um não na frente, ele vai sempre lembrar daquilo. Mais uma vez, não pense no saci Pererê. Use a terapia do elogio, use o lado positivo, mesmo com as pessoas que te feriram no passado. Muitas vezes elas esperam que você mais uma vez faça uma crítica negativa. E se voce fizer agora um elogio positivo dizendo: olha você tem isso de positivo, essa qualidade, voce não reforça o negativo e sim o positivo. Nunca diga: por que você não faz isso ao invés daquilo? Senão você vai voltar para o saci Pererê.

Eu – E se você tem uma situação dessas com alguém que já desencarnou?

A – Mesma coisa! Qual a diferença?

Eu – Não precisa nem marcar encontro na esquina, né?

A – Bem mais fácil, porque o contínuo espaço tempo esta muito diferente. Agora a pessoa desencarna e você fica às vezes, ou fazendo a impressão de que ela virou um anjinho ou chingando a infeliz porque ela desencarnou e te traiu. Que raiva que eu tenho de você ter desencarnado. Ou você finge que nada aconteceu, porque também não elogia. E pra desencarnar, nessas vibrações são menos sutis, elas são sentidas de forma mais intensa, muito mais intensa.

Eu – Eu posso fazer isso mentalmente para uma pessoa que está distante, encarnada?

A – Pode. E mais importante do que ela sentir, é você modificar o que você acha dela. Aí ela vai sentir. Por que vocês acham que é tão difícil os políticos serem honestos? Porque todo mundo espera que eles sejam canalhas.

Eu – É. Valoriza-se muito isso tudo, né?

A – Só se fala da desonestidade, portanto o foco só está ali e o que você vai ver?

Eu = Desonestidade e se pensar bem, a mídia é uma mantedora da desgraça.

A – Mas cada um escolhe, você pode ver uma orquestra sinfônica ou assistir um balé.

Eu – Mas eu digo em nível de País, a mídia destrói o País com essa importância.

A – Sim, muitas pessoas acabam mandando muita energia que eles acabam vampirizados. E aí, quando aqui, numa seção de apometria, vocês viram alguns seres que tratavam os humanos como se fossem suas vaquinhas, vocês ficaram escandalizados, olha isso.

Eu – Eles permitiram, pediram isso, né?

A – Sim, e de vez em quando, são ordenhados.

Eu – Agindo dessa maneira seria dar força e se entregar nas mãos desses famosos magos negros?

A – Os nomes não são importantes, mas são as pessoas que vão roubar energias, da mesma forma que o fazendeiro rouba energia das vacas.

Eu – Às vezes não é um, é uma legião de espíritos esperando essa situação para poder se alimentar.

A – E os espíritos tanto encarnados como desencarnados se entregam com uma facilidade às vezes assustadora.

Eu – Vivenciando a situação como a gente vivencia, sente as vibrações e as pessoas 90% esta no negativo, não tem como negar isso.

A – Porque isso alimenta muito, de várias formas e essas pessoas são usadas, como as vacas são usadas para produzir leite.

Eu – Sim, mas aí é que eu quero chegar. É difícil a gente se manter no positivo, com essa vibração tão forte. Muitas vezes, sem nem perceber você está entrando nisso.

A – Sim! Sim. Por isso você esta num mudo de provas e expiações, para provar que apesar disso, você pode se manter numa vibração melhor. E prova e expiações não significa um mundo ruim. Quando você faz uma prova, você é convidado a mostrar que você já é capaz. Quando você tem a oportunidade de espiar, você reconheceu que fez algo que não foi bom e pode corrigir. E então isso significa que você tem o direito de mostrar que é capaz.

Eu – É. Eu não vejo como castigo. Eu vejo como dificuldade de viver nessa energia onde a gente valoriza a matéria. E não cair nessas tentações é muito difícil, então é uma expiação que óh.

A – Às vezes uma prova!

Eu – Mas é uma prova. Não deixa de ser. Quando a gente vai passar, não sei, mas é uma prova constante.

A – E vai se repetindo até que se consiga superar.

Eu – Falando assim, me cansa, me sinto cansada, e vai e vai.

A – Esse cansaço devia ser agradecido também. O dia que você cansa você diz: não vou mais fazer isso. Aí é hora de transcender, mas se você cansar e ficar: humm.

Eu – Esse fim de semana eu me isolei. Não foi fácil, me senti lutando com um dragão.

A – Só que é importante ver que o dragão esta no espelho. Você é que escolhe como interpretar. Agora é muito importante que você vigie seus pensamentos, porque aquilo que você colocar foco, fica mais forte. E o que você quer mais forte na sua vida? Porque as pessoas que só reclamam só tem problemas? Você acha que elas procuram os problemas?

Eu- Sim, lógico. Elas estão no problema.

A – Muitas vezes elas até querem sair do problema. Mas elas só pensam naquilo e só vão ter foco e dar força ao problema. Agora é muita falta de compaixão quando a pessoa que esta com algum problema achar que a culpa é dela. Ela pode assumir a responsabilidade por tudo que aconteça com ela, mas não existe culpa. Cuidado.

Eu – Responsabilidade é bem diferente, né?

A – Então a pessoa que reclama não esta querendo mais problemas. Ela atrai, mas não necessariamente quer. Uma pessoa que bebe e dirige não quer sofrer um acidente, mas ela acaba atraindo isso para ela. Ela não saiu de casa para sofrer um acidente.

Eu – Mas ela está na irresponsabilidade.

A – Exatamente, ela vai ter que responder pelos seus atos e assumir todas as responsabilidades por isso. Mas cuidado com a crítica ao achar que ela é culpada. É daí que vem a crítica e não existe culpa. Os pacientes com AIDS que você conheceu saíram de casa para pegar AIDS?

Eu – Não, mas a irresponsabilidade…

A – Então arcaram com as consequências, mas não tem culpa. E aí às vezes a falta de compaixão coloca essa crítica: Bem feito! Teve o que mereceu. Isso é muita falta de compaixão.

Eu – E a compaixão tem que existir em todas as situações?

A – Todas! Inclusive a compaixão para quem te fere. Isso não significa que você vai aplaudir o fato de alguém estar te ferindo. Mas precisa manter a compaixão. A frieza do outro não pode te tornar frio. A violência do outro não pode te tornar violento. A tristeza do outro não pode te tornar triste, senão você estará espelhando e sendo o que você não gosta. A escolha é sua.

Eu – Eu posso ter compaixão sem vibrar na energia dessa pessoa? A compaixão é diferente do dó? Quando eu tenho dó eu entro na energia e permito ser vampirizada por ela ou vampirizo?

A – Na maioria das vezes, mais vampiriza. Quem tem dó se sente superior a essa pessoa. A compaixão não, eu não preciso sofrer a tua dor, mas eu sei que tua dor dói. E no que for possível, eu vou diminui-la. No que for possível para mim, não sair resolvendo o problema de todos. Só devo ir a um sacrifício se for benéfico para muita gente. Agora sair se sacrificando pela dor do outro a toa pode ser uma forma de suicídio. Quero deixar a mensagem de que o Amor é o mais importante, sempre! Faça para o outro o que você gostaria que fizessem por você. Veja no outro as suas qualidades, da forma em que você gosta que vejam as suas e aí fica tudo mais simples. Reconheça no outro um pouco de você, estimule no outro as coisas boas, e aí tudo fica mais simples, com AMOR. O mal não existe, o mal é só a ausência do conhecimento do bem, chega de dar tanta força para isso.

Nós nos despedimos. O grupo continua unido e estudando. Às vezes, ficamos um pouco tímidos também, com dificuldade de expressão e muitas vezes a linguagem se torna uma barreira. É importante que isso seja lembrado: às vezes, expressar um pensamento, uma energia no linguajar que seja entendido não é tão simples. A linguagem muitas vezes é uma barreira, mas nós continuamos aqui tentando aperfeiçoar essa forma de comunicação com a certeza de que vocês também o estão fazendo.

A – Vamos nos despedindo. Alguns do grupo optaram por ficar mais tempo juntos de vocês. Aproveitem. Já conheceram o pai Beijamim e vão conhecer outros, aproveitem! Vão fazer um trabalho de mudanças das energias e acompanha-los nos trabalhos.

Eu-Gratidão a todos, para os que ficam, e para os que vão para mais distante.

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Sobre o Autor do Artigo

Vilma Aparecida Mascagni

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